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sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Antônio João de Freitas Carvalho Drummond

Detalhe da pintura de Carlos Julião
(1740-1811), representando a
mineração de diamantes no Distrito
Diamantino de Minas Gerais,
segunda metade do século XVIII.
A imagem pode ser encontrada na
obra "Riscos Iluminados de
Figurinhos de Negros e Brancos
dos Uzos do Rio de Janeiro e Serro
Frio", Biblioteca Nacional, Rio de
Janeiro, 1960, gravura 41. Antônio
João de Freitas Carvalho Drummond
minerava ouro, não diamantes.
Como chegou a guarda-mor, é
possível que, em algum momento da
sua vida, tenha estado em uma
situação parecida com a desses
dois senhores uniformizados que
gerenciam o trabalho dos negros.
Link para imagem original

Antônio João de Freitas Carvalho Drummond foi quem trouxe um importante ramo da família Drummond para Minas Gerais. Dele descende o poeta Carlos Drummond de Andrade, seu tetraneto [1].

Nasceu em 1723 na ilha da Madeira, domínio português no Oceano Atlântico [2], filho de Antônio de Carvalho Drummond e de Inácia Micaela de Freitas Henriques. Àquela altura, já havia começado a corrida do ouro em Minas Gerais que provocou intensa migração para lá a partir da Madeira, dos Açores e de Portugal continental.

1. A ida para Minas
2. Os ancestrais nobres de Antônio João
3. O casamento e o que fazia naquela época
4. O guarda-mor e o caminho para o Cuieté
5. A descendência
6. Linha de João Escócio até Antônio João
7. Linha de Antônio João até o autor
8. Referências


A ida para Minas

É difícil saber quando Antônio João apareceu em Minas. A primeira notícia que tenho dele naquele local já é de 1768, quando providenciava os documentos necessários para seu casamento (uma requisição enviada à ilha da Madeira para obter uma cópia da certidão de casamento de seus pais [3]). O matrimônio aconteceu apenas em 1770. Naquela época, era comum que a burocracia transoceânica demorasse dois, três ou até mais anos para se realizar.

Naquele momento, Antônio João havia se estabelecido na freguesia de São Miguel, que abarcava vários municípios atuais, como Rio Piracicaba, Nova Era e Antônio Dias. Há indicações de que morava próximo à fronteira entre a freguesia de São Miguel e a parte da freguesia de Santa Bárbara que em 1825 se separaria e se tornaria a de Itabira. Há menções a uma "Fazenda Drummond" de sua propriedade na região de Itabira, que seus filhos herdaram [4].


Os ancestrais nobres de Antônio João

É possível que ele já tivesse partido da Madeira com alguma riqueza, porque era bisneto do proprietário do morgado de São Gil, na Madeira. O morgado era uma institução europeia pela qual os bens principais de uma família (como as terras) passavam para um único dos filhos em cada geração, em geral o primogênito, ao invés de serem divididos entre eles. Era uma estratégia para manter os bens dentro da família ao longo do tempo.

O morgado de São Gil havia sido instituído na quinta de Santa Cruz no início do século XVI ou fim do XV por uma das filhas de João Escócio (o escocês que trouxe o sobrenome Drummond para a Madeira), Beatriz Escócia. A quinta fora propriedade de seu marido, Antão Álvares de Carvalho, português que se estabeleceu na ilha. Beatriz estipulou que todos os descendentes donos desse morgado deveriam se chamar Sebastião Gil de Carvalho. Houve variações nos sobrenomes e nem todos se chamaram Sebastião, mas várias vezes isso foi feito e Sebastião Gil de tornou nome de família que se repetiu pelas gerações [5].

Além disso, Antônio João era também descendente do clã Drummond, da Escócia (veja aqui sobre as origens remotas desse clã).

Ao ficar mais velho, Antônio João se preocupou em garantir o vínculo de sua família à nobreza da ilha da Madeira. O governo emitiu uma carta de brasão em 1782. O brasão era dividido em quadro, representando quatro famílias ancestrais de Antônio João: os Carvalhos, os Costas, os Freitas e os Henriques [6]. Interessante que os Drummonds não são citados, mas os Carvalhos. Na verdade, o sobrenome "Drummond" era omitido do nome de Antônio João em várias ocorrências, inclusive na certidão de seu próprio casamento.


O casamento e o que fazia naquela época

Antônio João se casou em primeiro de novembro de 1770 com Maria Joaquina Gomes de Abreu, filha de Antônio Gomes de Abreu [7], proprietário da fazenda do Baú, em terras onde hoje fica o bairro do Baú, no atual município de João Monlevade.

Casou-se tarde, com 47 anos. Na região aurífera de Minas, a maioria dos homens se casava em torno de 22-24 anos naquela época, mas era comum que os imigrantes portugueses o fizessem muito mais tarde, às vezes com mais de 40 anos. Provavelmente, era o tempo necessário para que conseguissem se safar no novo ambiente, muito competitivo, a ponto de poder se estabelecer confortavelmente com uma família. De fato, um documento de 1773 mostra que Antônio João usou 40 de seus escravos para realizar uma obra de rebaixamento de uma cachoeira, pedida pelo governo (falarei mais dessa obra mais abaixo). Quarenta escravos era muito, indicava abastamento; provavelmente tinha bem mais, pois esses eram apenas os que foram usados na obra.

Há indicações de que as atividades de Antônio João se relacionavam com a mineração. Um documento bem mais tardio, de 1798, diz que sua ocupação era essa [8]. Porém, dados de documentos anteriores dão um vislumbre de outras atividades. Um deles, de 1771 [9], mostra que ele aproveitava plantações de cana para a produção de açúcar e de cachaça, com um engenho em sociedade com um certo João Francisco Siqueira.

O maquinário era movido pela força de bois. No entanto, os animais revelaram-se não serem apropriados; o maquinário exigia muito deles e havia grande mortandade. Em 1771, os dois sócios resolveram o problema construindo um engenho de água para servir de força motriz, provavelmente com uma roda d'água que aproveitava a força de um rio próximo. Esse caso aparece no documento de 1771 citado acima, pois era preciso pedir autorização ao governo para realizar tais empreendimentos.


O guarda-mor e o caminho para o Cuieté

O envolvimento de Antônio João com a mineração culminou com a sua nomeação a guarda-mor do distrito de Antônio Dias Abaixo, em 1773 ou um pouco antes disso. O cargo de guarda-mor é mais conhecido no âmbito da mineração; aí, sua função principal era dividir as terras minerais entre os seus exploradores. Cada quinhão chamava-se "data". Precisava, portanto, conhecer bem o terreno e suas possibilidades de produção de ouro. Nessa época (ou melhor, em 1778, para ser exato), esse distrito contava com 2.042 datas de terras minerais repartidas a vários mineiros, segundo um certificado do escrivão da guardamoria local.

No caso de Antônio João, ele era guarda-mor de terras e águas minerais. Assim, na mesma época, Antônio João realizou a distribuição das águas do rio para as terras minerais de Antônio Dias Abaixo.

Antônio João se envolveu com a construção da infraestrutura do transporte em direção a uma nova área recém-conquistada para os mineradores, no leste de Minas, especialmente no Cuieté (hoje Cuieté Velho, no atual município de Conselheiro Pena, perto da fronteira com o Espírito Santo). Apesar de conter ouro, aquela região havia sido deixada nas mãos dos índios botocudos pelo próprio governo português, para servir de barreira para contrabandistas e gente que queria se infiltrar nas minas sem ser registrada. A corte concluiu que a presença do gentio bravo era mais eficiente do que postos policiais. Porém, com a queda da produção na área da Serra do Espinhaço a partir de meados do século XVIII, vários mineiros da região aurífera foram procurar novas oportunidades no leste da capitania.

Entraram em choque, porém, com os índios de lá. Entre os pricipais contingentes de mineiros que tentavam se estabelelcer nas terras botocudas estavam os moradores do distrito de Antônio Dias Abaixo. Estes chegaram a enviar uma petição ao governador da capitania solicitando assistência material e reforços militares para se defenderem dos índios nas suas explorações no Cuieté.

O governador Luís Lobo da Silva (1763-1768) fez mais: organizou uma expedição militar de 150 homens e realizou uma guerra contra os botocudos. Era a chamada "Conquista do Cuieté". Não resolveu totalmente o problema, que se arrastaria século XIX adentro (em 1808, o governo português, já com sede no Rio de Janeiro, declararia a guerra aos botocudos); mas coseguiu o suficiente para que a atividade mineradora pudesse se estabelecer mais estavelmente no Cuieté e que a região do leste pudesse começar a ser povoada de forma mais consistente. Nos anos seguintes, foram construídas vias terrestres e fluviais para facilitar o trânsito para a região [10].

Como os mineiros de Antônio Dias estavam entre os principais interessados no empreendimento, era dali que um dos ramos da via fluvial deveria partir. Esta via era constituída pelos rios Piracicaba e Doce. Construir uma via fluvial significa eliminar barreiras à navegação, especialmente quedas d'água e corredeiras. Assim, em 1776, o novo governador da capitania de Minas Gerais, Antônio de Noronha, ordenou ao guarda-mor Antônio João que rebaixasse a Cachoeira Alegre, nas dependências de Antônio Dias, a fim de tornar esses rios navegáveis até a foz do Doce [11].

Antônio João fez o que lhe foi pedido às próprias custas, utilizando mais de 40 escravos seus e também fornecendo as ferramentas e a comida necessária. A obra durou seis meses. Além dos obreiros civis, entre as pessoas empregadas por ele (citadas em um dos documentos sobre esse episódio), carpinteiros, ferreiros, guardas e canoeiros.

O guarda-mor considerou o feito suficientemente importante para em seguida requerer ao governo português que seu filho mais velho herdasse seu cargo.

Além da via navegável, Antônio de Noronha mandou também construir uma estrada por terra até Cuieté; a obra foi feita durante o governo seguinte, de Rodrigo José de Menezes. Em 1779, este já convidava todos os interessados a se estabelecerem na região, prometendo sua proteção e preferência nas datas de terras [12].


A descendência de Antônio João de Freitas Carvalho Drummond

A genealogia dos descendentes de Antônio João está descrita no livro de José Tavares Drummond, "A família Drummond no Brasil" [13]. Foi publicado em fascículos a partir de 1965 e como livro em 1970, pelo Colégio Brasileiro de Genealogia. No início deste livro, é descrita a versão da origem da família Drummond entre os reis húngaros da dinastia Árpád, depois passando pelo clã Drummond na Escócia e pelos Drummond da ilha da Madeira (veja também um texto deste blog sobre o mesmo assunto).

Devo falar, porém, de uma das filhas de Antônio João que não consta da obra do José Tavares, Maria Narcisa de Freitas, nascida em 1782 e casada com Joaquim Dias Bicalho (este nascido em 1780) [14]. Esse Joaquim Dias Bicalho é provavelmente natural da freguesia de Santa Bárbara, onde moravam seus pais, Manuel Dias Bicalho e Leonarda Matilde de Jesus, na fazenda das Pacas. A fazenda das Pacas era próxima da fazenda do Baú de Antônio Gomes de Abreu, mas suas terras hoje encontram-se no município de São Gonçalo do Rio Abaixo [15]. Joaquim Dias Bicalho morou no arraial de São José da Alagoa, hoje Nova Era, na freguesia de São Miguel do Piracicaba [16]. Mais tarde, em 1840, encontramo-lo em Itabira, com a profissão de cirurgião e com doze escravos [17].

Os filhos conhecidos do casal Joaquim Dias Bicalho-Maria Narcisa de Freitas são [14,17]:

1) José Belisário de Freitas Bicalho, nascido em c. 1816
2) Ana, nascida em c. 1816
3) Leonarda, nascida em c. 1819
4) Maria Barbosa, nascida em c. 1822

Desses, é conhecida a descendência de José Belisário de Freitas Bicalho, descrita na obra de Hugo de Caux Belisário, "Zé Belisário: sua vida e sua gente" [18].



Linha desde João Escócio até Antônio João de Freitas Carvalho Drummond

João Escócio pertencia ao clã Drummond da Escócia e emigrou para a ilha da Madeira - vide post "Os Drummond da Madeira e as correspondências com a Escócia". As informações abaixo constam de NORONHA (1700) e Miranda (1888) [5] e estão reproduzidas em DRUMMOND (1970) [13].

1. João Escócio, natural da Escócia, filho de John Drummond de Stobhall e Cargill e de Elizabeth Sinclair, proprietários do castelo de Stobhall, perto de Perth; casado com Branca Afonso.

2. Beatriz Escócia, falecida em 2 de abril de 1527, casada com Antão Álvares de Carvalho, filho de Gil de Carvalho, capitão na Índia, e de Maria Anes de Loureiro. Antão Álvares se estabeleceu na quinta de São Gil, na vila de Santa Cruz, na ilha da Madeira. Após enviuvar, Beatriz Escócia fez um morgado na propriedade, como dito mais acima - o "morgado de São Gil".

3. Gil de Carvalho, que sucedeu seu pai na propriedade do morgado de São Gil; casado em 1525 com Maria Favila, filha de Fernão Favila e de Beatriz Pires.

4. Álvaro de Carvalho, que sucedeu seu pai no morgado de São Gil. Casou-se em primeiro de abril de 1550, em Santa Cruz, com Maria de Goes e Mendonça, filha de Rafael de Goes e Antônia de Mendonça.

5. Sebastião de Carvalho e Mendonça, que sucedeu seu pai no morgado de São Gil; casado com Beatriz da Costa.

6. Sebastião de Carvalho e Mendonça, casado em 27 de maio de 1602, em Funchal, com Isabel Serrão, filha de Antônio Gonçalves Vianna e Maria Gomes.

7. Sebastião Gil de Carvalho, que sucedeu seu pai no morgado de São Gil; casado em 26 de abril de 1628, em Santa Cruz, com Maria da Costa, filha de Pedro Jorge de Arvelos e de Isabel de Sousa.

8. Sebastião de Carvalho Drummond, casado em 6 de julho de 1671, em São Pedro, com Joana da Costa, filha de Manuel da Costa Jardim e de Maria Nunes.

9. Antônio de Carvalho Drummond, casado em 21 de outubro de 1711 com Inácia Micaela de Freitas Henriques, filha de Matias de Freitas e Andreza Henriques. O casamento se deu na casa do pai da noiva, Matias de Freitas, na freguesia de São Pedro.

10. Antônio João de Freitas Carvalho Drummond, que foi para Minas Gerais.


Linha de Antônio João de Freitas Carvalho Drummond ao autor

Vou descrever aqui a linha de Antônio João de Freitas Carvalho Drummond até mim, para que meus parentes próximos possam se localizar. A ligação acontece por três linhas diferentes. Obs.: todos os nomes de mulheres são os de solteira.


Linha 1:

1. Antônio João de Freitas Carvalho Drummond, nascido em 1723, em Funchal, Ilha da Madeira. Casado em 05/11/1770, na capela do Rosário, de Antônio Gomes de Abreu, na freguesia de Santa Bárbara, com Maria Joaquina Gomes de Abreu, nascida em 16/02/1754, na aplicação de Santa Quitéria, freguesia de Santa Bárbara, MG, filha de Antônio Gomes de Abreu e Maria Ferreira Roriz. O casamento se deu na capela de Nossa Senhora do Rosário, na fazenda de propriedade do pai da noiva, na freguesia de Santa Bárbara.

2. Maria Narcisa de Freitas, nascida em 1782 na freguesia de São Miguel do Piracicaba, casada com Joaquim Dias Bicalho, filho de Manuel Dias Bicalho e Leonarda Matilde de Jesus.

3. José Belisário de Freitas Bicalho, nascido em 1816 na aplicação de São José da Lagoa, freguesia de São Miguel do Piracicaba. Casado em 16 de outubro de 1838, no oratório particular do capitão Quintiliano Dias Bicalho (pai da noiva), na freguesia de Lagoa Santa, com Maria Rosalina de Freitas, sua prima, nascida em 1820 na freguesia de Santa Luzia, filha de Quintiliano Dias Bicalho e Ana Claudina de Freitas.

4. Amando Belisário de Freitas Bicalho, nascido em 09/05/1852 em Taquaraçu de Minas e falecido em 19 de abril de 1931 em Pedro Leopoldo. Casado em 1874 com Maria Valeriana da Fonseca Vianna, filha de José de Souza Vianna Júnior e Rita Maria da Fonseca e nascida em 11 de fevereiro de 1857 em Santa Luzia, falecida em 10 de agosto de 1903 em Pedro Leopoldo.

5. José Belisário Vianna, nascido em 13/07/1876 em Sete Lagoas e falecido em 08 de setembro de 1957 em Pedro Leopoldo. Casado em 15 de fevereiro de 1904, em Itabira, com Leopoldina Augusta Chassim Drummond, nascida em 02 de janeiro de 1886 em Itabira e falecida em 8 de novembro de 1922 em Pedro Leopoldo, filha de Teófilo Monteiro Chassim Drummond e Maria Perpétua Martins Guerra.

6. Roberto Belisário Vianna, avô do autor, prefeito de Pedro Leopoldo de 1951 a 1955, nascido em 28 de agosto de 1917 em Pedro Leopoldo e falecido de acidente de carro em 21 de junho de 1959, em Belo Horizonte. Casado em 24 de julho de 1942, em Belo Horizonte, com Maria de Lourdes Carvalho Lopes, nascida em 13 de fevereiro de 1919, em Pedro Leopoldo, e falecida em 11 de maio de 1995, também em Pedro Leopoldo, filha de Álvaro da Silva Lopes e Alda de Azevedo Carvalho.


Linha 2:

1. Antônio João de Freitas Carvalho Drummond c. Maria Joaquina Gomes de Abreu

2. Inácia Micaela Henriques de Freitas, nascida na freguesia de São Miguel do Piracicaba e falecida em 19 de abril de 1856; casada em 1796 com João da Costa Vianna, nascido entre 1754 e 1756 na freguesia de Sabará e falecido em 05 de maio de 1814 na freguesia de Santa Luzia, filho de Manuel da Costa Vianna e Eulália Moreira de Castilho.

3. Ana Claudina de Freitas, casada em 17 de junho de 1814, na aplicação de Fidalgo, freguesia de Santa Luzia, com Quintiliano Dias Bicalho, nascido por volta de 1790 e falecido em 11 de novembro de 1858 em Sete Lagoas, filho de Manuel Dias Bicalho e Leonarda Matilde de Jesus.

4. Maria Rosalina de Freitas, casada com José Belisário de Freitas Bicalho, vide item 3 da linha 1 acima.


Linha 3:

1. Antônio João de Freitas Carvalho Drummond c. Maria Joaquina Gomes de Abreu

2. João Antônio de Freitas CarvalhO Drummond, nascido em 1779 na freguesia de São Miguel do Piracicaba, casado pela primeira vez em 1800 com Ana Luísa Emiliana de Alvarenga, filha de Manuel Monteiro Chassim e Maria Tomásia da Encarnação. Pela segunda, vez, casado com Ana Delmira Bernardina de Oliveira. E, pela terceira vez, casado, em 20 de abril de 1841, na freguesia de Itabira, com Ana Esméria de Freitas Bicalho, filha de Quintiliano Dias Bicalho e de Ana Claudina de Freitas Drummond (não confundir com o casal Quintiliano Dias Bicalho e Ana Claudina de Freitas do item 3 da linha 2 acima. O Quintiliano citado na linha 2 era sobrinho deste outro citado nesta linha 3; idem para a Ana Claudina citada na linha 2 em relação a esta outra nesta linha 3). Do primeiro matrimônio, teve o filho:

3. Manuel Monteiro Chassim Drummond, nascido em 1813 na freguesia de São Miguel do Piracicaba, casado pela primeira vez com Brígida Honorata de Barros Silveira, filha de Manuel de Barros Araújo. Pela segunda vez, casado em 17 de outubro de 1846, em Itabira, com Maria Felizarda da Silveira Drummond, nascida em 1830, sobrinha da primeira esposa. Do primeiro matrimôniio, teve o filho:

4. Teófilo Monteiro Chassim Drummond, nascido em 5 de maio de 1836 em Itabira e falecido em 18 de março de 1892 no mesmo local; casado pela primeira vez em 22 de julho de 1873, em Itabira, com Joana Rosa de Andrade Guerra, nascida em 1856, filha de Domingos Martins Guerra e Leopoldina Amélia de Paula Andrade. Pela segunda vez, casado com Maria Perpétua Martins Guerra, irmã da esposa anterior, nascida em 2 de abril de 1858 em Itabira e falecida em primeiro de outubro de 1896, também em Itabira. Do segundo matrimônio, teve a filha:

5. Leopoldina Augusta Chassim Drummond, casada com José Belisário Vianna, item 5 da linha 1 acima.


Notas e referências

[1] VIDIGAL, Pedro Maciel, "Os Antepassados", volume 2, tomo 2, 1.a parte, pág. 604; ALBUQUERQUE, Pedro Carrano, "Carlos Drummond de Andrade e seus antepassados", Usina de Letras, 2000]

[2] Antônio João declarou ter 75 anos em um documento de 1798: Processo matrimonial de Antônio de Araújo Quintão de Miranda e Maria Crescência (1798, Barão de Cocais). Arquivo Eclesiástico da Arquidiocese de Mariana. Processo de código 000278-01-28.

[3] Trata-se de uma nota escrita na margem da certidão de casamento de seus pais; vide nota [19] abaixo.

[4] "Folha da Manhã" (São Paulo), 02/06/1957, apud [13].

[5] As informações sobre o morgado de São Gil e as pessoas relacionadas citadas neste texto constam no título "Carvalhos de S. Gil" em MIRANDA, Felisberto Bittencourt. "Apontamentos para a genealogia de diversas famílias da Madeira" (1888); e NORONHA, Henrque Henriques de, "Nobiliário Genealógico das Famílias" (1700), ambos, disponíveis em PDF no site do Centro de Estudos de História do Atlântico. Há também uma versão em DVD comercializada de Noronha (1700).

[6] DRUMMOND, Antônio Augusto de Menezes, "A heráldica da casa de Drummond", Revista do Instituto Genealógico Brasileiro vol. 1 (1937), pág. 52. Consta "Registrado no Cartório da Nobreza, liv. III, fls. 52v". Na ref. [13] abaixo, consta também que "a carta de brasão original acha-se registrada no Lº 15.º, 88, de registros de semelhantes papéis, de Vila Nova da Rainha, hoje Caeté, em 27.11.1808".

[7] Certidão de casamento de Antônio João de Freitas Carvalho e Maria Joaquina Gomes de Abreu (Santa Bárbara, 05/11/1770). Family Search. Local: Santa Bárbara. Livro: Matrimônios 1748, Jul-1777, Out. Folha: 153. Imagem 158. Dados da certidão:
  • Data: 05/11/1770
  • Local: Capela de Nossa Senhora do Rosário do Capitão Antônio Gomes de Abreu, filial da matriz da freguesia de Santo Antônio do Ribeirão de Santa Bárbara
  • Impedimentos: nenhum
  • Testemunhas: reverendo Antônio Jorge [?]lho; reverendo coadjutor Francisco Xavier do Amaral
  • Provisão: do reverendo doutor Lourenço José de Queiroz Coimbra; vigário geral da Comarca de Sabará
  • Licença: do reverendo vigário doutor José Felipe de Gusmão e Silva
  • Outros presentes: reverendo padre José Luís Gomes
  • Noivo: Antônio João de Freitas e Carvalho, filho legítimo do capitão Antônio Carvalho e dona Inácia Micaela e Freitas Henriques, natural e batizado na freguesia da Sé, da cidade do Funchal
  • Noiva: Maria Joaquina Gomes de Abreu Freitas, filha legítima do capitão Antônio Gomes de Abreu e de dona Maria Ferreira Roriz, natural e batizada na freguesia de Santo Antônio do Ribeirão de Santa Bárbara
  • Assinado: coadjutor Francisco Xavier do Amaral

[8] Processo matrimonial de Antônio de Araújo Quintão de Miranda e Maria Crescência (1798, Barão de Cocais). Arquivo Eclesiástico da Arquidiocese de Mariana, processo de código 000278-01-28.

[9] Arquivo Público Mineiro (Belo Horizonte). Seção Arquivo Histórico Ultramarino/MG. Cx 101, Doc 16.

[10] LANGFUR, Hal. "Mapeando a consquista" (PDF). Revista do Arquivo Público Mineiro 47 (2011), vol. 1, pág. 32; PAIVA, "Um livro aberto da conquista" (PDF), Revista do Arquivo Público Mineiro 47, vol. 1, pág. 160.

[11] Arquivo Público Mineiro (Belo Horizonte). Seção Arquivo Histórico Ultramarino/MG. Cx 112, Doc 27.

[12] BARBOSA, Waldemar de Almeida, "Dicionário histórico geográfico de Minas Gerais", ed. Itatiaia, Belo Horizonte e Rio de Janeiro, 1995, pág. 107 (verbete "Cuieté Velho").

[13] DRUMMOND, José Tavares, "A família Drummond no Brasil", Publicações do Colégio Brasileiro de Genealogia, Rio de Janeiro, 1970.

[14] A filiação de Maria Narcisa de Freitas é informada pela certidão de casamento de um de seus filhos, José Belisário de Freitas Bicalho, com Maria Rosalina de Freitas, em 16/10/1838, em Lagoa Santa (Arquivo da Cúria de Belo Horizonte. Livro de casamentos de Lagoa Santa (1824-1884), folha 65, verso. Family Search: imagem 68). Ali, é mencionado "parentesco de consanguinidade de segundo grau de linha transversal igual e de terceiro grau também transversal". Ora, sabe-se que a ascendência de Maria Rosalina é:


De maneira que a única possibilidade é que Joaquim Dias Bicalho seja irmão de Quintiliano Dias Bicalho (ou seja, os pais de José Belisário e Maria Rosalina eram irmãos) e que Maria Narcisa de Freitas era filha de Antônio João de Freitas Carvalho Drummond (ou seja, a mãe de José Belisário era tia da mãe de Maria Rosalina). A árvore de ancestrais acima pode ser comprovada com essas fontes:

a) Casamento de Quintiliano Dias Bicalho e Ana Claudina de Freitas: Santa Luzia, 17/06/1814. (1) Arquivo da Cúria de Belo Horizonte. Livro de casamentos de Santa Luzia (18-- a 1822), folha 42. (2) Family Search. Local; Santa Luzia. Livro: Matrimônios 1809, Nov-1822, Nov. Imagem: 42.

b) Processo matrimonial de Manuel Dias Bicalho e Leonarda Matilde de Jesus (Santa Bárbara e São Miguel, 1772), no Arquivo Eclesiásico da Arquidiocese de Mariana.

c) Processo matrimonial de João da Costa Vianna e Inácia Micaela Henriques de Freitas (Sabará, 1795). Também no Arquivo de Mariana.

[15] A localização do Baú e das Pacas podem ser vistos neste mapa de 1939 do município de Santa Bárbara, no Arquivo Público Mineiro. As Pacas estão um pouco à direita de São Gonçalo do Rio Abaixo, um pouquinho para cima; e o Baú, quase na linha vertical para o norte das Pacas, um pouquinho para a esquerda.

[16] Conforme consta do seu depoimento no processo matrimonial de Joaquim Gomes Drummond e Maria Tomásia da Encarnação (São Miguel, 1813), disponível no Arquivo Eclesiástico da Aquidiocese de Mariana.

[17] Mapa de população de Itabira do Mato Dentro. Arquivo Público Mineiro, Belo Horizonte. Cx 8/17 (1840), Filme 4, Gaveta B2. Item 652.

[18] BELISÁRIO, Hugo de Caux. "Zé Belisário: sua vida e sua gente". Escritório de Histórias, Belo Horizonte, 2012. Pág. 72.

[19] Certidão de casamento de Antônio de Carvalho Drummond e Inácia Micaela de Freitas (São Pedro, 21/10/1711). Arquivo Regional da Madeira, livro 6 de registo de casamentos de São Pedro (1712/1760), livro 121, folha 060 ( PT-ARM-PFUN08/2/121/060 ).

domingo, 20 de outubro de 2013

Domingos Diniz Couto (1716-1763): Biografia

Mercador de tabaco no Rio de Janeiro
no início do século XIX. Domingos
Diniz Couto provavelmente foi também
um comerciante, ainda que não se saiba
o que comercializava e que tenha vivido
em Minas Gerais um século antes deste
vendedor aqui representado. Domingos
também poderia ter sido um vendedor
ambulante ou um mascate. Se teve uma
venda, foi certamente bem mais tosca
que esta. Fonte: Jean-Baptiste Debret,
"Voyage pittoresque et historique au Brésil"
Paris: Firmin Didot Frères (1835),
gravura 41 (reprodução de parte da
gravura),pág. 128 (pág. 165 no PDF).
Arquivo Brasiliana Digital (USP).
In memoriam: Antônio Vianna de Pádua Clementino (1928-2012)

Domingos Diniz Couto é o tronco de uma numerosa família que se espalhou pricipalmente pelo centro de Minas, em Curvelo, e por regiões próximas a Belo Horizonte, como Contagem e Esmeraldas - mas também aparecem em Pará de Minas e em outros lugares. Nasceu em Portugal e apareceu em Minas Gerais por volta de 1738.


Os ancestrais de Domingos Diniz Couto

O seu ancestral de sobrenome Diniz mais antigo que consegui encontrar até agora foi sua avó paterna, Antônia Diniz. Esta moça viveu com seu marido, João Fernandes, em Vila Meã, um povoado na freguesia de Monte Córdova, que hoje é parte do concelho de Santo Tirso, a cerca de 40 km a nordeste da cidade do Porto, norte de Portugal. "Freguesia" é uma unidade de administração eclesiástica da época. No Brasil, não existe mais; mas em Portugal ainda existe, porém na administração civil.

Antônia Diniz e João Fernandes tiveram o pai de Domingos Diniz Couto, chamado Domingos Diniz, que nasceu na mesma Vila Meã em 17 de janeiro de 1672. A mãe, Maria João, nasceu em 14 de janeiro de 1681, no povoado de Passos, ali perto. Domingos Diniz e Maria João, parentes em quarto grau, se casaram em 14 de outubro de 1698, na igreja do Mosteiro de Monte Córdova. Esse parentesco de quarto grau parece ser pelo sobrenome Fernandes (ainda não foi possível confirmar).

A família, porém, não parece originária desta Vila Meã nem da freguesia de Monte Córdova. Naquela época, seus membros se espalhavam pelo menos pelas freguesia vizinhas de Carreiras, Santa Cristina do Couto e São Miguel do Couto. Morava na mesma região uma outra família Diniz, originária de um lugar um pouco mais distante, a atual freguesia de Penafiel, cerca de 65 km a sudeste de Monte Córdova.




O mundo que o recebeu

A região em que Domingos nasceu e viveu seus primeiros anos não era muito boa para se viver para muita gente. A economia não era propícia e havia superpovoamento. Muitas pessoas queria emigrar para outros lugares. Especialmente para Minas Gerais, pois o momento era o auge da corrida ao ouro naquele lugar.

Desde o anúncio da descoberta do ouro por bandeirantes paulistas na década de 1690, milhares de pessoas apareceram em Minas sonhando se enriquecer com o metal precioso. Vinham principalmente do norte de Portugal, das ilhas portuguesas do Atlântico e de outras partes do Brasil. Muita gente acreditava em um verdadeiro Eldorado nas regiões auríferas, onde poderiam fazer fortuna. Alguns, de fato, ficaram muito ricos; mas muita gente sucumbiu vítima da fome ou da violência.

Nem só para procurar ouro as pessoas iam lá. Era preciso também comer, vestir-se, rezar, ferrar suas montarias; era necessário construir casas e igrejas e pintar estas últimas. Assim, diversos outros tipos de atividades se desenvolveram na região. Em particular, Domingos Diniz Couto faria a vida como comerciante.


Sua vida

Domingos Diniz Couto nasceu em 14 de janeiro de 1716 na Vila Meã. Ainda criança, viajou à cidade do Porto para lá aprender o ofício de comerciante. Quando tinha mais ou menos 12 anos, ou seja, por volta de 1738, foi para o Brasil.

Um dos maiores centros de mineração da época era Ouro Preto. Domingos foi para Santo Antônio da Casa Branca, atualmente um distrito de Ouro Preto de nome Glaura.

O couto - Em Portugal, chamava-se apenas Domingos Diniz - acrescentou o "Couto" quando veio ao Brasil ou talvez mesmo quando tivesse ido ao Porto. Era comum que portugueses que se afastassem dos seus locais de origem os adicionassem aos seus nomes. Assim surgiram famílias como Lisboa, Viana, Sousa - originalmente, nomes de lugares.

Ocorre que o lugar onde Domingos nasceu pertencia ao Couto de Santo Tirso. "Couto" era um território onde não podiam entrar funcionários do governo, livre de impostos, da obrigatoriedade de participação em atividades militares e outros privilégios. Vários foram concedidos a nobres e a religiosos na Idade Média. Na prática, era governado por um nobre ou por um abade de forma autônoma em relação ao resto do reino. O de Santo Tirso incuía uma parte da freguesia de Monte Córdova, dentro da qual estava Vila Meã.

A partir do fim da Idade Média, com o reforço crescente do poder do rei, os coutos foram perdendo gradativamente seus privilégios. O de Santo Tirso sobreviveu até 1834, já sem a maioria dos privilégios originais. É muito provável que Domingos estivesse se referindo a esse couto quando escolheu seu sobrenome adicional.

Em Minas - Depois de Casa Branca, Domingos residiu também por Itabira, onde morou o pai de sua futura esposa, Antônio do Rego Tavares (ou Tavares do Rego). Mais tarde, acabou se estabelecendo definitivamente em Contagem. Ao contrário dos outros lugares, Contagem não tinha produção de ouro. O povoado surgiu ao redor de um posto do governo que contava e recolhia parte do gado de quem os vendia como imposto, chamado "Contagem do Abóboras" (Abóboras é o nome do rio que passa ali).

Ali se casou, em 15 de maio de 1747, com Maria Soares Tavares. Esta, natural de Bação (hoje um distrito de Itabirito), era filha natural de um homem de posses, Antônio do Rego Tavares. Este tinha terrenos em alguns lugares, inclusive longe, no norte de Minas (o sítio de São Romão, perto da atual cidade do mesmo nome), e ocupou cargos no governo, como o de provedoria no distrito de Itabira, em 1729.


Domingos agricultor

O surto de mineração em Minas começaria a declinar pouco depois, a partir de 1750. A tecnologia era tosca, o ouro era tirado apenas em pequenas profundidades e a partir desta época este foi rareando. O governo português não se interessava em melhorar a tecnologia, apenas em cobrar impostos sobre a produção. A crise atingiu toda a capitania, todo o Brasil e também Portugal. Em Minas, outras atividades passaram a se desenvolver, especialmente a agricultura.

Domingos também enveredou por esse caminho e se tornou agricultor perto de Contagem, na sua "Fazenda da Boa Viagem". Com o dinheiro que deve ter acumulado em suas atividades de comércio (se é que realmente exerceu em Minas a atividade que aprendera na cidade do Porto), comprou parte das terras de um certo José de Medeiros Cabral e o resto arrematou do mesmo sujeito, que aparentemente as havia abandonado.

A sesmaria - Mandou ao governo uma requisição para que lhe concedesse um título de posse de suas terras na forma de uma carta de sesmaria. A carta de sesmaria era concedida pelo rei para que os proprietários garantissem suas posses com um título. No Brasil, em geral era concedida a portugueses que aqui passavam a viver. Na época de Domingos Diniz Couto, o tamanho era sempre de meia légua quadrada. Como retorno pela "mercê", seus proprietários deveriam demarcar o terreno e produzir com suas terras. Se não produzissem, a sesmaria poderia ser considerada devoluta e arrematada por outra pessoa.

Porém, Domingos não viu seu pedido ser concretizado. Esse tipo de processo podia demorar muito naquela época e Domingos faleceu com apenas 47 anos, em 1763, antes que ela fosse emitida - o que só aconteceu em 29 de fevereiro do ano seguinte. Uma coisa interessante: uma das duas autoridades que assinaram a carta foi Cláudio Manuel da Costa, o grande poeta que se envolveu na Inconfidência Mineira e que naquela época era secretário do governo em Ouro Preto.

Maria Soares Tavares, esposa de Domingos, viveria muito mais e faleceria apenas em 31 de março de 1795. Em outro texto, falarei um pouco sobre a descendência de Domingos. Conhece-se o nome de seis dos seus filhos: Domingos Diniz Couto, Manuel Antônio Diniz, Antônio Soaers Diniz, Maria Soares Diniz, Ana e Catarina.


Como sabemos de tudo isso?

As informações sobre os ancestrais de Domingos Diniz Couto em Portugal foram obtidas com pesquisas nos livros paroquiais de batismo, casamento e óbito dos lugares citados. Cópias estão disponíveis na Internet, no site do Family Search e no do Arquivo Distrital do Porto. Os livros paroquiais se iniciam em 1587, quando os registros se toraram obrigatórios para todos. Para saber sobre fatos genealógicos antes dessa data, são necessárias outras fontes. Porém, é muito raro encontrá-las para pessoas que não sejam nobres.

As peripécias de Domingos em Minas Gerais até seu casamento estão relatadas no seu processo matrimonial. Naquela época, a Igreja investigava certos aspectos da vida dos noivos, como suas identidades e se a noiva não fora raptada. Isso se dava por meio do processo matrimonial. A maioria dos processos matrimoniais de Minas Gerais está arquivada no Arquivo Eclesiástico da Arquidiocese de Mariana, mas o original do de Domingos não sobreviveu. Uma cópia aparece no processo de genere de um neto seu, o padre José Soares Diniz, também existente no arquivo de Mariana. Foram outros genealogistas, como Antônio Vianna de Pádua Clementino, que me chamaram a atenção para este documento. O processo de genere fazia parte do processo de ordenação dos padres; nele se investigava suas origens.

As informações sobre as terras de Domingos estão na sua carta de sesmaria, que possui uma cópia digital no site do Arquivo Público Mineiro.

Outros documentos esparsos foram consultados, como um requerimento de Maria Soares Tavares, esposa de Domingos, para o rei de Portugal, para que ela fosse confirmada como tutora e administradora dos bens e de seus filhos. Esse tipo de requisição era feita por várias viúvas logo após o falecimento do cônjuge e, como ele data de 9 de setembro de 1763, mostra que Domingos faleceu pouco antes dessa data. Este documento encontra-se no Arquivo Público Mineiro, na coleção do Arquivo Histórico Ultramarino, seção sobre Minas Gerais (Cx 81, doc 81, rolo 72). A data de falecimento de Maria Soares Tavares consta de seu testamento, encontrado no Arquivo do Museu do Ouro, em Sabará, por Vânia Lúcia de Oliveira, que gentilmente me enviou uma cópia do texto.